O relatório compara o investimento público destinado às duas populações e conclui que, de 2007 a 2008, a diferença a favor da população judaica aumentou 2,8%.
De acordo com o relatório, em todos os parâmetros sociais, excepto na área da educação, existe uma tendência clara para o aumento da desigualdade.
Um dos directores da Sikkui, Ron Gerlitz, disse que "as diferenças são alarmantes e aumentam a cada ano que passa; é necessário agir imediatamente para reduzi-las".
"Se o governo continuar a nada fazer como até agora, as diferenças vão continuar a aumentar. Os filhos dos cidadãos árabes crescem em casas mais pobres, as suas escolas têm orçamentos menores e eles têm menos oportunidades de estudar numa universidade, não conseguem bons empregos e assim a pobreza se eterniza."
"Uma discriminação tão gritante não é saudável para a sociedade, a situação é perigosa e explosiva", advertiu Gerlitz.
Na área do bem-estar social, a diferença entre os investimentos nas duas populações é particularmente alta e chega aos 50%.
Cada assistente social que trabalha numa cidade de maioria árabe atende em média 500 pessoas. Já nas cidades de maioria judaica, o número de atendidos é de 330.
Na área da habitação as diferenças também são significativas. Em 2008 o Ministério da Habitação iniciou 13 vezes mais construções públicas destinadas à habitação da população judaica, [provavelmente para suportar a expansão colonial na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental], quando existia uma carência de 40.000unidades habitacionais para os jovens árabe-israelitas.
O estudo também concluiu que a qualidade da construção e as especificações técnicas da habitação para a população árabe é significativamente inferior às para do sector judaico. Como resultado, temos uma densidade populacional extremamente elevada nas áreas árabes e uma menor qualidade de vida para os casais jovens.
Os cidadãos árabes de Israel também apresentam índices de mortalidade infantil mais elevados, em comparação com a maioria judaica.
Na população árabe o índice de mortes de recém-nascidos é de oito entre 1.000, já na população judaica o índice é de 3,2.
A única área na qual o relatório registou uma diminuição das diferenças entre as duas populações é na da educação.
Os investigadores chegaram à conclusão de que, no ano de 2008, houve uma ligeira redução das diferenças entre as duas populações. Mas eles afirmam que o nível da educação para os alunos árabes "ainda é muito inferior em comparação com o dos alunos judeus".
Segundo os investigadores, em 2008 houve uma melhoria significativa no número de crianças árabes, na faixa etária de 3-4 anos, que foram integradas no sistema de Educação.
Porém, a ONG adverte que houve uma degradação significativa no número de alunos árabes que conseguem concluir os estudos secundários, de 49% em 2007 para 32% em 2008.
O relatório também menciona o baixo número de funcionários estatais na população árabe.
Apenas 6% dos funcionários do Estado são cidadãos árabes, embora eles constituam 20% da população do país.
O director-geral do ministério do Bem Estar Social, Nahum Itzkovitz, afirmou que "o relatório da Sikkui é tendencioso e apresenta dados incorrectos".
"O governo vem fazendo esforços para reduzir as diferenças entre as duas populações e elas estão diminuindo", disse Itzkovitz à rádio estatal israelita.
"Recentemente aumentamos o número de assistentes sociais para atender a população árabe", acrescentou.
Segundo o advogado Ali Haider, director da Sikkui, os dados indicam que durante muitos anos os governos de Israel "ignoraram as necessidades da população árabe".









