Saramago recebendo o Prêmio Nobel de Literatura, em 10 de dezembro de 1998
A imprensa árabe internacional destacou neste sábado o apoio do escritor português José Saramago à causa palestina, depois da sua morte ontem na ilha espanhola de Lanzarote.
"José Saramago exaltou a importância da língua portuguesa e apoiou a causa palestina", diz o título do jornal árabe Al Hayat, editado em Londres, que fala da morte do escritor luso na capa.
A publicação destaca as duras críticas que Saramago recebeu de Israel, especialmente, quando fez visita a Ramala em 2002, convidado pelo Parlamento Mundial de Escritores, e cita uma frase sua que despertou o descontentamento israelense: "O que ocorre na Palestina é um crime que podemos comparar a Auschwitz", afirmou Saramago na capital da Autoridade Nacional Palestina.
Além disso, o períodico árabe ressalta que o autor de Todos os Nomes comparou o compromisso político do poeta palestino Mahmoud Darwish (1941-2008), um dos organizadores de sua visita a Ramala, com o do chileno Pablo Neruda (1920-1973) e que a reação israelense foi boicotar seus livros.
Para o jornal, Saramago não foi só um grande escritor, mas também um grande lutador e resistente inclassificável.
Por sua vez, a rede de televisão Al Jazira, uma das mais influentes no mundo árabe, destacou em seu site as posturas políticas adotadas por Saramago e menciona a comparação que este fez entre os territórios palestinos ocupados e o campo de concentração nazista de Auschwitz.
"Durante seis décadas, Saramago foi casado com os livros e a luta política como membro do Partido Comunista português", disse no site, que ressalta, além disso, sua contribuição à revolução que em 1974 derrubou a ditadura de António de Oliveira Salazar em Portugal.
Outro jornal árabe internacional, Asharq Al Ausat, editado em Londres, destaca seu compromisso político e aponta que Saramago "será lembrado pelos seus fortes comentários políticos e costumava criticar a história portuguesa, os princípios conservadores e a religião".








