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PALESTINA PALESTINA Unificar todo o povo palestino em defesa da destruição do enclave imperialista de Israel! Derrotar Abbas e o Fatah, traidores da resistência palestina, capachos do sionismo! A Palestina está submersa em uma guerra civil patrocinada pelos EUA e Israel contra o povo palestino, mais particularmente contra o Hamas, com o objetivo de aniquilar fisicamente seus militantes e dirigentes. Desde que o Hamas venceu as eleições legislativas palestinas nos territórios ocupados, em janeiro de 2006, Abbas e seus conselheiros, conspiraram com Israel, os EUA e os serviços de inteligência de vários Estados árabes para liquidar o Hamas. “Este apoio incluiu canalizar armas e dezenas de milhões de dólares para incontáveis milícias, particularmente a ‘Força de Segurança Preventiva’ encabeçada em Gaza por Mohammad Dahlan” (The Electronic Intifada, 16/06). Duas revelações recentes mostram a extensão da conspiração. Em 7 de junho, o jornal Haaretz relatou que “altos responsáveis do Fatah na Faixa de Gaza pediram a Israel que lhes permitisse receber grandes carregamentos de armas e munições de países árabes, incluindo o Egito”. Segundo aquele jornal israelense, o Fatah pediu a Israel “carros blindados, centenas de rockets RPG para furar blindagens, milhares de granadas de mão e milhares de balas e munições para armas de pequeno calibre”, tudo para ser utilizado contra o Hamas. Apesar das sangrentas ofensivas contra o Hamas orquestradas pelo Fatah entre dezembro e janeiro, o Hamas ainda concordou em aderir a um “Governo de Unidade Nacional” com o Fatah promovido pela Arábia Saudita na Cúpula de Meca. O governo entrou em crise porque Abbas recusou-se a colocar as suas milícias sob o controle de um ministro do Interior considerado neutro, que acabou por demitir-se. Nesse quadro de impasse se originou a crise atual. Os confrontos que deixaram mais de 100 mortos nos últimos dias acabaram por levar à vitória militar do Hamas na Faixa de Gaza e à fuga dos soldados da famigerada Força de Segurança Preventiva para o Egito. A tomada pelo Hamas do quartel general das Forças de Segurança Preventiva na Faixa de Gaza, expulsando as forças de segurança ligadas a Abbas, milícias patrocinadas diretamente por Bush e o sionismo, foi uma medida de autodefesa do Hamas frente às seguidas provocações políticas e militares lançadas pelo Fatah. Como “resposta”, Abbas, presidente da fantoche ANP, promoveu um golpe de estado, dissolveu o gabinete de “unidade nacional”, destituiu o líder do Hamas, Ismail Haniyeh, do posto de primeiro-ministro e criou um “governo de emergência” que não se subordina ao parlamento dominado pelo Hamas. O novo primeiro-ministro imposto por Abbas é Salam Fayyad, um tecnocrata ex-funcionário do FMI. Além disso, Abbas decretou Estado de Emergência e colocou o Hamas na ilegalidade. Segundo o decreto do presidente da ANP: “A Força executiva e as milícias do Hamas são consideradas fora-da-lei por terem levado a cabo uma rebelião armada contra a legitimidade palestina e suas instituições. Será punida toda a pessoa cuja ligação ao Hamas ficar provada, segundo as leis em vigor e as disposições do Estado de emergência” (sítio Vermelho-PCdoB, 17/6). Enquanto Israel corta o fornecimento de produtos básicos a sobrevivência dos palestinos da Faixa de Gaza, o premiê sionista Edhud Olmert anunciou a liberação para o fantoche “governo de emergência” do Fatah dos fundos recolhidos em impostos dos palestinos, mais de US$ 800 milhões, que estavam retidos desde a vitória parlamentar do Hamas em janeiro de 2006. Já a Secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, anunciou a liberação imediata de US$ 86 mihões em ajuda direta a ANP, a serem depositados nas contas estabelecidas pelo novo primeiro-ministro Fayyad. Com tais medidas, Abbas e seu corrupto Fatah colocam a nu sua integral condição de capachos corruptos do imperialismo ianque e do sionismo, responsáveis por exterminar fisicamente a resistência palestina e seus militantes. A LBI, já em meados dos anos 90, foi uma das primeiras organizações políticas a denunciar a transformação da OLP em uma força política pró-imperialista, cooptada política e materialmente por Israel, quando Yasser Arafat impulsionou os Acordos de Oslo que criou a Autoridade Nacional Palestina (ANP). Já naquele momento apontávamos que a ANP não representava qualquer embrião de “Estado palestino”, como defendiam várias organizações de esquerda, mas significava, na verdade, um instrumento político voltado fundamentalmente a receber financiamento do imperialismo ianque, europeu e de Israel com o objetivo de corromper todo um setor dos próprios dirigentes palestinos da OLP, comandados por Yasser Arafat e, depois, por Abbas, na medida em que esses comandassem a repressão contra seu próprio povo e enquanto patrocinavam entre as massas a ilusão da coexistência de um “Estado palestino” ao lado da máquina de guerra sionista. Essa armadilha montada pelos Acordos de Oslo com o patrocínio da OLP agora ruiu completamente, na medida em que o Hamas, que capitalizou entre as massas o descontentamento com a política corrupta e pró-imperialista levada a cabo com o Fatah, teve que atacar militarmente seu próprio “parceiro” no governo de unidade nacional para garantir sua sobrevivência física e política, colocando objetivamente em xeque a própria existência da ANP. DERROTAR O SIONISMO E SEUS AGENTES DO FATAH! SUPERAR Apesar da vitoriosa ação militar do Hamas na Faixa de Gaza, o primeiro-ministro Ismail Haniyeh, em um discurso transmitido ao vivo na Al-Jazeera, emitiu uma declaração com 16 pontos, em que reivindica o “governo de unidade nacional”, exigindo que a caricatura de parlamento da ANP sem qualquer poder e autonomia, em que o grupo é maioria, aponte uma saída de consenso para a crise. A política do Hamas acaba por colocar a luta dos palestinos em um beco-sem-saída, porque não aponta que neste momento o conjunto do povo palestino na Faixa de Gaza, na Cisjordânia, nos demais territórios ocupados e nos campos de refugiados deve se levantar em luta para derrotar o imperialismo, o sionismo e seus capachos do Fatah, empunhando a bandeira histórica da destruição do enclave sionista e assassino de Israel. Enquanto Haniyeh reivindica uma “saída parlamentar”, na Cisjordânia os militantes do Hamas são perseguidos pelas forças do Fatah, o imperialismo libera verbas milionárias para que Abbas organize uma ofensiva militar sobre a Faixa de Gaza, cujo território está totalmente isolado e teve cortado o fornecimento de água, energia e combustível por parte de Israel, onde 91% da população já vive abaixo da linha de pobreza com um desemprego de 74%. Ao contrário de impulsionar a resistência de massas, Haniyeh reafirmou em seu comunicado o compromisso do Hamas com a farsesca democracia simbolizada pela ANP e o sistema político existente, dizendo que o governo continuaria a funcionar, restauraria a lei e a ordem e reforçou compromisso do Hamas com a unidade nacional e o acordo de Meca: “A indicação de Fayyad como chefe de um governo de emergência é um golpe contra a legitimidade. Nós pedimos ao presidente Abbas que volte atrás na decisão para preservar a integridade do nosso povo... Eu reafirmo que o caminho está aberto e que visamos a reformulação das relações com uma base nacionalista” (Folha de S.Paulo, 17/06). A saída apontada pelo Hamas é a proposta de uma anistia geral beneficiando quaisquer combatentes da sua segurança capturados, ao mesmo tempo em que enfatizou que a luta do Hamas não era com o Fatah como um todo, mas apenas contra aqueles elementos que estiveram colaborando ativamente com o sionismo e os EUA. Já Abbas, apoiado por Israel e pelos EUA, apelou a uma força multinacional para ocupar a Faixa de Gaza. Obviamente, a força multinacional da ONU terá o papel de proteger os interesses de Israel que as “forças de segurança preventivas” do Fatah já não são capazes de executar, assim como age a força multinacional estacionada no sul do Líbano após a derrota que Israel sofreu para o Hezbollah em 2006. A crise instalada na Palestina soma-se a uma situação de profunda instabilidade que atravessa o conjunto do Oriente Médio, com a retomada das ações do Taleban no Afeganistão, os confrontos no norte do Líbano e a resistência iraquiana às forças de ocupação. 60 anos após a Guerra dos Seis dias, quando Israel derrotou as burguesias árabes e ampliou o território do enclave sionista no Oriente Médio, as massas palestinas apontam o caminho da vitória sobre o sionismo e seus capachos, ou seja, impor pela ação direta e revolucionária das massas a destruição do enclave de Israel, sendo o combate heróico do povo palestino um ponto de apoio fundamental na luta por derrotar e expulsar o imperialismo da região. Como marxistas revolucionários estamos incondicionalmente pela vitória militar do Hamas frente às forças imperialistas, sionistas e seus agentes do Fatah, mas sem depositar nenhuma confiança política no Hamas. Alertamos que no curso desta tarefa, a superação das direções burguesas e teocráticas como o Hamas, que apesar das heróicas ações militares que encabeça é refém de um programa teocrátrico-burguês que legitima a própria ANP, é uma condição fundamental para a conquista da verdadeira pátria palestina no conjunto dos territórios históricos rapinados pela máquina de guerra sionista, rumo à edificação de uma Palestina soviética, baseada em conselhos de operários e camponeses palestinos e judeus. |
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